O exemplo que educa

O exemplo que educa

Por Marília Rauck

Meu nome é Marília. Eu estudei e me dediquei muito a uma carreira que no final acabou me deixando frustrada devido às altas expectativas que eu criei.

Depois de abrir mão da minha suposta profissão dos sonhos eu precisei de muito tempo pra conseguir me encontrar profissionalmente e foi com o auxílio de uma pessoa maravilhosa que eu consegui: meu atual chefe. Eu falo alemão como segunda língua e, quando não havia mais luz no fim do túnel da minha carreira profissional, eu comecei a ensinar alemão para um colega. Não cobrava nada, era para ajudá-lo e também poder praticar a língua. Dessa forma, outras pessoas começaram a se interessar e me procurar. No entanto, eu não tinha um lugar onde eu pudesse dar aula em minha casa e não tinha como ir à casa dos interessados.

Neste momento, me lembrei do professor de inglês do meu marido, que era uma pessoa muito querida e que meu marido admirava muito. Decidi então, pedir-lhe para utilizar uma sala em sua escola de inglês e ele aceitou. Claro que eu iria pagar para utilizar a sala, pois não seria justo, apesar dele não querer cobrar praticamente nada. Isso foi o começo de uma grande amizade e parceria, pois com o tempo ele permitiu que eu utilizasse a metodologia dele com os meus alunos de alemão, que eu assistisse às suas aulas , para compreender a dinâmica e me auxiliou muito em tudo que precisei. Quando uma professora de inglês precisou sair de licença maternidade ele já havia entrevistado vários candidatos para substituí-la, mas ele me convidou para ocupar o lugar dela durante a sua ausência. Eu me surpreendi, pois não esperava e não me sentia qualificada para o cargo, mas ele insistiu que eu tinha potencial e ele me ensinaria. E foi isso que aconteceu! Até hoje ele me ensina, juntamente com outro professor. Eu simplesmente amo o que eu faço.

Cada vez que entro na sala de aula, me realizo! Se ele não tivesse confiado no meu potencial, não tivesse me ensinado (e continua ensinando), eu não teria como realizar esse sonho. Depois eu percebi que além de mim, ele auxilia inúmeras pessoas: amigos, parentes e até mesmo alunos. Mas nunca os expõe, nunca fala nada pra ninguém e nem espera reconhecimento e agradecimento. Uma pessoa que lê essa história pode pensar que ele não foi altruísta, pois ele necessitava de um professor.  Ele poderia ter simplesmente contratado um professor que já estivesse “qualificado” e não precisaria perder horas com treinamento, mas não foi isso o que aconteceu.  Eu sei que sempre serei muito grata a esse amigo e espero passar o exemplo dele adiante, auxiliando todos àqueles que estiverem ao meu redor, afinal, só viveremos em um mundo mais justo quando tivermos consciência da nossa responsabilidade em relação aos que nos cercam e que se encontram em uma situação menos favorável à nossa.

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