A casa embaixo da árvore

A casa embaixo da árvore

Por Daniela Pardi

 

“Eu não quero uma casa com uma árvore no quintal, quero uma árvore com uma casa embaixo!” Era assim que eu me referia à casa dos meus sonhos. Em 2013 encontramos nossa árvore, uma Senhora Mangueira, fincada no meio de um terreno de 350m2, cuja copa exuberante extrapolava os muros e fazia sombra para a casa de 90m2.

Compramos, já com o intuito de ampliar a construção antes de nos mudar. Com todo o respeito, tivemos que podar a copa da Grande Senhora e tal era seu porte que foi necessário contratar pessoas especializadas, num trabalho que durou 2 dias. Eu fiquei com os 2 homens, direcionando os cortes, como se tivesse levado um filho para cortar o cabelo.

Nestes 2 dias conversamos, rimos, lanchamos, trabalhamos duro, principalmente eles. Um escalava os troncos com a moto-serra, enquanto o outro preparava as cordas para direcionar a caída dos pesados pedaços de madeira. Foi assim que, ao final do segundo dia, o mais falante deles me perguntou: “Você não mora na rua de cima, numa casa estilo colonial?” “Ah, então é você mesma! Ele (e apontou para o outro rapaz, ambos bombeiros) foi quem levou você até o Pronto Socorro, quando você passou mal uma vez.”

Sim, 4 anos antes eu havia sofrido um AVC em casa, à noite, e foram 2 bombeiros que, com muita dificuldade (eu soube depois), conseguiram me carregar pela estreita escada em “L” que levava dos quartos ao térreo e, de ambulância, me transportaram até o único Pronto Socorro da cidade. Meu marido havia me contado o quanto os homens haviam sido delicados, firmes e atenciosos não apenas comigo, desacordada, mas também com ele.

Não sabíamos seus nomes, eu nunca soube quem foram eles… mas de repente eu estava frente a frente com um deles, num novo momento importante da minha vida, realizando um sonho, cuidando da árvore com a qual iríamos morar. Minha emoção foi enorme, e pedi licença para abraçá-lo, podendo lhe dizer o quanto eu era grata, e o quanto estava feliz por poder abraçá-lo. Foi um dos anjos que salvou minha vida. Sua resposta à minha emoção e agradecimento? Um sorriso meio envergonhado, e as palavras: “Imagina, o mais importante é ver a senhora com saúde!”

 

A “Senhora Mangueira”, Daniela e o Bombeiro

 

Mangueira

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